André Freire Furtado

André Freire Furtado nasceu na cidade de Várzea-Alegre-CE, no dia 30 de novembro de 1937. Em 1950 veio para o Recife onde realizou toda sua formação básica. Em 1959 ingressou no Curso de História Natural, na Universidade Católica de Pernambuco, obtendo o Bacharelado e a Licenciatura. Por ter sido o aluno laureado,-maior média nos 4 anos de Universidade-, recebeu o Prêmio Banco Nacional do Norte. Em 1969 obteve o título de Doutor em Biologia da Reprodução, na Faculté des Sciences de Paris (Sorbone).

Ao voltar para o Brasil, foi convidado pelo Professor Aluízio Bezerra Coutinho, chefe do Departamento de Patologia e Biologia Gerais, e foi contratado pela UFPE, como Adjunto IV, para ministrar as disciplinas de Genética e Evolução. Regressou à França em 1974 e inscreveu-se no Doutorado de Biologia Animal, na Universidade Pierre et Marie Curie (Paris VI). Sua tese versou sobre o “Controle endocrine des mitoses goniales et de la meiose chez la femelle de Panstrongylus megistus, Hemiptera: Reduviidae. Ao voltar ao Brasil em 1979, criou o Laboratório de Entomogênese, cujo objetivo era desenvolver pesquisas sobre o controle da reprodução de insetos vetores de doenças, especialmente Aedes aegypti, Aedes albopictus, Culex quinquefasciatus eTriatomíneos.

Aposentou-se da UFPE em 1991, e foi contratado pela Fundação Oswaldo Cruz lotado no Centro de Pesquisas Aggeu Magalhães, em Recife, onde ocupou as funções de Vice-Diretor e Diretor durante 8 anos, coordenando ao mesmo tempo o “Programa de Controle da Filariose” (parasitose afetando em algumas áreas da cidade, mais de 17% da população). O tratamento em massa da população juntamente com o controle do vetor (mosquito Culex quinquefasciatus), levaram à eliminação da doença, que encontra-se em fase de reconhecimento pela OPAS/OMS da erradicação da filariose bancroftiana na cidade do Recife.

Aposentou-se pela compulsória em 2007. Entre os diversos prêmios e honrarias recebidos destacam-se o Prêmio Réaumur, outorgado pela Société Zoologique de France (1979); Honra ao Méritopelos Relevantes Serviços Prestados à Zoologia do Brasil, Sociedade Brasileira de Zoologia (1998); Mérito Científico,(Academia Pernambucana de Ciências-2004); Medalha Marechal Trombowsky(Instituto do Magistério do Exército–2004); Cidadão Recifense(Câmara Municipal do Recife-2007); Comendador da Ordem Nacional do Mérito Científico, (Presidência da República 2008). Coautor do Livro Didático “Biologia Nordeste” (3 volumes) 1971com Oswaldo Frota-Pessoa, Aluízio Bezerra Coutinho, Dárdano de Andrade Lima, Maria José de Araújo Lima, Seuza Matos e Elizabeth Atalla Mansur.

Co-autor do Livro Didático Genética eEvolução(2 volumes) 1973, com Aluízio Bezerra Coutinho. Tem 70 trabalhos científicos publicados, individuais ou em parceria com outros cientistas, em Periódicos Nacionais e estrangeiros. 5 capítulos de livros, em sua área específica.

Patrono

Aluizio Bezerra Coutinho

Nasceu em Nazaré da Mata, no dia 29 de março de 1909. Em 1925, ingressou na Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro, graduando-se em 1930 e já no ano seguinte foi cumprir estágio em Toronto Canadá e na Columbia University – Estados Unidos. Motivou-se para a Patologia quando ainda estudante, tendo sido convidado pelo Prof. Aggeu Magalhães (igualmente notável cientista pernambucano) para trabalhar com ele em sua cátedra na Escola de Medicina do Recife. Aos 27 anos obteve, por concurso, a cátedra de Patologia na Escola de Medicina do Recife, na qual passou a ensinar até 1979, quando se aposentou compulsoriamente.

Manteve-se, como professor da pós-graduação, além de orientar teses de mestrado e de doutorado. Bezerra Coutinho foi pioneiro em diversas áreas das ciências, sobretudo nos aspectos hoje conhecidos como multidisciplinaridades das interações biológicas e não biológicas, entre animais e vegetais. Foi notável a pesquisa com caramujos urbanos do gênero Biomphalaria, encontrando-os infestados em percentuais considerados altos.

Postulou, que os casos humanos da doença decorrente desse parasita, nas metrópoles, seriam mais graves que os detectados na zona rural, em função da carga parasitária. A questão da Esquistossomose serviu de grande polêmica quando se discutia o tratamento da parasitose. Posicionou-se contra a indicação de terapêutica farmacológica, pelo risco de levar para o fígado grande volume de vermes mortos. Argumentava: “o órgão seria transformado em cemitério de vermes”. Postulava que as drogas eram ótimas para matar os vermes, mas também matavam o hospedeiro, ou seja, o homem doente. O pensamento e as contribuições de Bezerra Coutinho nesta área estão inseridos em diversos periódicos nacionais e estrangeiros.

Como médico, sua era com a higiene da habitação, estudo que partilhava com os engenheiros sanitaristas que o precederam no século XIX. Suas propostas para a casa higiênica tinham, também, um componente social significativo, propondo como solução a produção em escala, da maior parte possível dos componentes das habitações, a fim de obter a redução do custo de construção. No ensaio intitulado “Ideias sobre um Recife de amanhã”, de 1932, enfatizou que a circulação de veículos é um dos mais graves problemas do Recife e formula a ideia de bairros satélites. Bezerra Coutinho deixou 54 trabalhos publicados na sua área específica e com especulações, contestações e contribuições brilhantes em outras áreas de conhecimento, como a arquitetura e o urbanismo. Como Professor de Patologia, suas aulas teóricas eram marcadas pelo domínio e profundidade do conteúdo, com exposição dos temas de modo fascinante, sempre com um sorriso cativante. Faleceu no Recife, em 31 de julho de 1997.