Carlos Alberto Tavares

Possui graduação em Agronomia pela Universidade Federal Rural de Pernambuco (1966), mestrado em Educação Agrícola - University of Minnesota (1968) e doutorado em Educação Ocupacional - Kansas State University (1974), atuando principalmente nas seguintes áreas: educação agrícola, educação profissional, gestão de organizações por competências e pesquisas.

As principais atividades desenvolvidas em sua carreira profissional foram as seguintes: Criador do Curso de Licenciatura em Ciências Agrícolas na UFRPE, aprovado pelos Conselhos Superiores em 1984, o que permitiu a qualquer aluno de curso da área das ciências agrárias se habilitar para o ensino agrícola nas escolas de ensino médio, em especial das escolas agrotécnicas. Co-autor do Projeto da habilitação Básica em Agropecuária, aprovado pelo Conselho Federal de Educação pelo Parecer 3.474/75, possibilitando aos sistemas de ensino do país expandir o ensino agrícola na rede de escolas de ensino médio, em especial naquelas localizadas nos municípios do interior.

Consultor em Planejamento Educacional e Educação Profissional contratado por concurso público pelo MEC pelos Acordos MEC/BID e MEC/BIRD, no período de 1976 a 1982. Consultor da UNESCO em Educação Profissional. Paris, França. 1980/1986, tendo sido co-autor do livro Trends end Issues in Technical and Vocational Education, 1986. Co-autor da Pesquisa Estratégias de Competividade, inovação Tecnológica e Desempenho Exportador das micro, pequenas e médias empresas em Pernambuco – Projeto COSINEXP, em cooperação com a Universidade de Sherbrooke, Canadá~1994/1998, com apoio financeiro do SEBRAE e do IDRC/Canadá.

Membro da Academia Pernambucana de Ciência Agronômica, desde 1994 e da Academia Brasileira de Ciência Agronômica, desde 2013. Publicou trinta e cinco textos na área educacional agrícola, dez dos quais divulgados nos ANAIS da Academia Pernambucana de Ciência Agronômica desde 2008 até o presente ano(2018). Publicou cinco livros pelo Ministério da Educação no período 1977 a 1980, com destaque para o conceito de Competência Profissional, cuja obrigatoriedade foi somente institucionalizada com a aprovação da atual lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional, aprovada em 1996 (Lei 9394/96).

Foi Vice-Reitor da UFRPE no período 1983/87. Sua proposta de criação de 20 clusters ocupacionais divulgada em seu livro publicado pelo MEC em 1977, recomendada em sua tese de Doutorado – 1974, tornou-se política educacional legitimada pelo Conselho Nacional de Educação, aprovada pela Resolução CNE/CEB nº 04/99. Atualmente exerce a função de Consultor na área de Formação e Gestão por Competências. Site: www.catfgc.com.br

Patrono

Paulo Reglus Neves Freire

Em 19 de setembro de 1921, nascia, no Recife, o homem que revolucionou a pedagogia ao propor uma educação crítica e libertadora. Para Paulo Freire, não bastava aprender a ler e escrever, mas aprender a “ler o mundo”. Para isso, era preciso um método diferente que, ao invés da “educação bancária”, na qual os professores “depositam” conhecimento em alunos passivos, propunha-se uma educação interativa, em que ambos aprendem por meio do diálogo e de um saber contextualizado na realidade. “Os homens se educam entre si mediados pelo mundo”, dizia.

Com o seu método, que valorizava a realidade e o conhecimento dos alunos para cruzá-los com outras informações, ele chegou a alfabetizar 300 cortadores de cana em menos de dois meses. Seu trabalho com analfabetos pobres teve início por volta de 1946, quando ele assumiu a direção do Departamento de Educação e Cultura do Serviço Social da Indústria (SESI) de Pernambuco. Paralelamente, ele exerceu diversos cargos públicos: Conselho Consultivo de Educação do Recife (1956), diretor da Divisão de Cultura e Recreação do Departamento de Documentação e Cultura (1961); e foi professor efetivo de história e filosofia da educação da Escola de Belas Artes.

Mas foi como diretor do Departamento de Extensões Culturais da Universidade do Recife, em 1961, que ele realizou as primeiras experiências de alfabetização popular que levariam à constituição do “Método Paulo Freire”. Os resultados exitosos de sua metodologia levaram o governo brasileiro, sob a presidência de João Goulart, a aprovar a aplicação do mesmo no Plano Nacional de Alfabetização. Com o Golpe Militar de 1964, o Plano foi extinto, Freire foi acusado de ameaça à ordem, preso e exilado por mais de 15 anos.

No exílio, esteve em países como Bolívia, Suíça, Tanzânia, Inglaterra, Guiné-Bissau e Chile – quando chegou a trabalhar nas Organizações das Nações Unidas (ONU). Após a publicação de “Pedagogia do Oprimido”, em 1969, foi convidado para ser professor visitante da Universidade de Harvard. Só em 1980, o educador pôde voltar ao Brasil, onde assumiu cargos de docência na Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC–SP) e na Universidade de Campinas (Unicamp) e, entre 1989 e 1991, trabalhou como secretário da Educação da Prefeitura de São Paulo.

Mais do que um método, a ideia de Paulo Freire para a educação é uma concepção de mundo, que propõe uma sociedade onde os conhecimentos estão em eterna construção mediados pelo diálogo, pela realidade e pelo afeto. Paulo Freire foi incluído em 2007, na lista de homenageados do projeto Caravana Notáveis Cientistas de Pernambuco.