Ivon Palmeira Fittipaldi

Professor Titular (1994) por concurso público de provas e títulos e um dos fundadores do Departamento de Física da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE). Graduado em Engenharia Elétrica (1968), pela então Escola de Engenharia da UFPE. Mestrado (1970) e Doutorado (1974) em Física Teórica pelo Instituto de Física da Universidade de São Paulo (USP).

Bolsista de Produtividade do CNPq, nível I, de forma continuada por 25 (vinte e cinco) anos, desde a criação do programa em 1976, até a aposentadoria ocorrida em 2000. Pós-Doutorado na “Temple University” (1974) e “Oxford University” (1975), como bolsista do CNPq. Foi “Visiting Professor” em “Nagoya University”, Nagoya, Japão (1982), como “Fellow” da “Japonese Society for Promotion of Science–JSPS”. Foi pesquisador visitante no Laboratório de Física dos Sólidos do CNRS de Orsay, França (1985). Foi “Invited Visiting Professor”, no Instituto de Física da Academia Polonesa de Ciências, Varsóvia, Polônia (1988).

Foi pesquisador visitante na qualidade de “Fulbright Fellow” na “Boston University”, Boston, USA, no biênio (1987-1988). Como pesquisador ativo em Física Teórica na área de Matéria Condensada e Mecânica Estatística, publicou de cerca de 75 (setenta e cinco) artigos em periódicos de circulação internacional, indexados no "Institute for Scientific Information–ISI/USA”. Apresentou mais de 100 (cem) comunicações em congressos; proferido palestras e seminários em várias instituições no país e no exterior. Orientou alunos bolsistas de Iniciação Científica, 4 (quatro) teses de Doutorado e 3 (três) de Mestrado.

Exerceu 4 (quatro) mandatos na UFPE nos seguintes cargos: Chefe do Departamento de Física (1980-82); Coordenador da Pós-Graduação do Departamento de Física (1991-92); Diretor do Centro de Ciências Exatas e da Natureza (1993-97); e, Pró-Reitor para Assuntos de Pesquisa e Pós-Graduação (1983-87), em cujo mandato instituiu no âmbito da universidade o processo de Avaliação de Desempenho Docente para efeito da progressão vertical, tornando-se o instrumento que permitiu a UFPE consolidar seu quadro de professores com o título de Doutor. Após aposentadoria, continuou de forma moderada as atividades de pesquisa, dedicando-se, majoritariamente, a várias atividades de gestão em C&T, tendo exercido os cargos: Diretor Científico da Fundação de Amparo à Ciência e Tecnologia do Estado de Pernambuco–FACEPE, no período de agosto de 1999 a janeiro de 2002; Membro do CTC da CAPES como representante da FAP’s, no triênio (2000-02);  Diretor do Departamento de Políticas e Programas Setoriais da SEPED, do Ministério de Ciência e Tecnologia–MCT, no período de fevereiro de 2003 a junho de 2004.

A partir de julho de 2004, recebeu do Ministro de Estado da Ciência e Tecnologia, a missão de instituir a Representação Regional do MCT no Nordeste (ReNE) e coordenar a implantação do Campus Tecnológico Regional do MCT no Nordeste (Campus MCT-NE), resultando na criação do Centro de Tecnologias Estratégicas do Nordeste (CETENE), tendo exercido o cargo de Coordenador-Geral da ReNE até abril de 2014. Integrou o Conselho Deliberativo da FUNDAJ como representante do MCT (2008-2012). Como representante do CNPq participou do Conselho de Administração do ITEP-OS (2007-14); e como representante da comunidade cientifica de Pernambuco (2014-2018).

É membro das sociedades científicas nacionais SBF e SBPC, e integrante da Academia Pernambucana de Ciências (APC); participou da criação da ADUFEPE em 1979, exercendo o mandato como seu primeiro Segundo Vice-Presidente. Em 23 de agosto de 2013, recebeu da Assembleia Legislativa de Pernambuco o Título de Cidadão Pernambucano, por suas contribuições dadas ao Estado no campo do ensino e da pesquisa científica. Atualmente integra o Conselho Superior da FACEPE e preside o Conselho de Administração da Associação Instituto Internacional de Física da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (AiiF-OS/UFRN).

Patrono

Ruy Luis Gomes

Nasceu na cidade de Porto, Portugal, em 5 de dezembro de 1905. Filho de Maria José de Medeiros Alves e de Antônio Luiz Gomes, que foi político, reitor da Universidade de Coimbra e ministro de Estado.

Nascido de uma família aristocrática, desde cedo recebeu uma educação primorosa, tendo tido inclusive uma preceptora inglesa de quem recebeu bons ensinamentos.Na Universidade de Coimbra conclui o curso de matemática com brilhantismo. Ainda como estudante publicou em 1928, seu primeiro artigo científico intitulado “O acaso nos nascimentos dos sexos”. Herdou do pai certo interesse pela política. Ainda jovem se envolveu com as ideias marxistas, devido, em parte, às injustiças políticas vigentes em Portugal de então. Em 1926, foi nomeado na universidade de Coimbra, Assistente Livre.

Em 1928, obteve o doutoramento com a tese “Desvio das trajetórias dum sistema holônomo”. No ano seguinte, tornou-se professor assistente na Universidade do Porto. Após concurso público, tornou-se em 1933, Professor Catedrático naquela universidade. A obra científica de Ruy Gomes teve seu apogeu nos anos de sua juventude. Neste período correspondeu-se com cientistas famosos, tais como Tullio Levi-Civita, Louis de Broglie, John von Neumann, entre outros. Publicou uma vasta obra, em várias revistas internacionais, nas áreas de matemática e física teórica. Questões quânticas foram por ele abordadas em 1936. Um ano antes discutiu vários aspectos da relatividade restrita. Foi citado algumas vezes pelo prêmio Nobel, de Broglie, nas suas aulas no Institut Poincaré.

A partir de 1945, Ruy Gomes entra na vida política, notadamente pelo agravamento da situação política, devido à ditadura que perseguia toda a vanguarda científica portuguesa. Muitos cientistas conhecidos foram forçados a deixar aquele país naquele período. Devido às suas posições políticas contrárias ao regime político, em 1947 foi demitido da Universidade do Porto pela ditadura de Salazar. Na condição de “professor sem escola” manteve-se como pode, até seu exílio na América do Sul. Publicou vários livros científicos de reconhecido mérito, como “A integral de Riemann” em 1949 e “A integral de Lebesgues – Stieltjes” em 1952. Para prestigiar a ciência portuguesa, muitas vezes publicou na Portugaliae Mathematica (1937) e na Gazeta de Matemática (1939).

Em 1958, Gomes viu-se forçado a tomar a difícil decisão de abandonar Portugal, aceitando um convite do seu grande amigo Antônio Monteiro para ensinar em Bahia Blanca, Argentina. Ruy Luís Gomes exilou-se então na América do Sul, passando a ensinar na Universidade del Sur, de 1958 a 1962 e na Universidade Federal de Pernambuco, de 1962 a 1974.Na UFPE fundou e liderou por anos, a formação do que ficou conhecido como a Escola Portuguesa do Recife, da qual faziam parte nomes de reconhecidos matemáticos, como Manoel Zaluar Nunes, Alfredo Pereira Gomes e José Morgado. NaUFPE existe o“Auditório Ruy Luís Gomes”, a “Biblioteca Ruy Luís Gomes”, a “Olimpíada Pernambucana de Matemática Ruy Luís Gomes”, e o prêmio com seu nome para o melhor aluno do Vestibular de Matemática.

Em 1974, retornou a Portugal aclamado pela comunidade científica portuguesa, tornando-se reitor da Universidade do Porto. Em 1978, por inciativa conjunta dos Departamentos de Matemática e Física, a UFPE concede a Ruy Luís Gomes o título de Professor Emérito.Ruy Luís Gomes morre aos 79 anos de ataque cardíaco, no outono Europeu de 1984, na cidade do Porto, deixando uma obra científica com a marca do seu superior talento, reconhecida internacionalmente pelos mais rigorosos padrões, e o legado de um eterno defensor pelas causas da Paz, da Justiça e da Liberdade, tão fundamentais ao destino da Humanidade.

Em 5 de dezembro de 2005, a Sociedade Portuguesa de Matemática, a Sociedade Portuguesa de Física e a Universidade do Porto organizaram uma conferência para assinalar o centenário do seu nascimento.