Marcelo Brito Carneiro Leão

Minha “História”começa às 19:50h do dia 20 de setembro de 1965. Iniciei minha vida escolar no Jardim da Infância Ana Rosa em 1970, que era uma escola pública localizada no Parque 13 de Maio, no centro do Recife. Após dois anos, entrei no Colégio Marista do Recife (Conde da Boa Vista), onde fiquei de 1972 até 1983. Em janeiro de 1984 prestei vestibular para o curso de Engenharia Química da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE).

Neste mesmo período também prestei vestibular na UPE para Educação Física, e na Universidade Católica de Pernambuco (UNICAP) para Química Industrial, passando nos dois, mas não tendo cursado nenhum destes. No ano seguinte, em 1985 prestei o vestibular para o curso de Licenciatura em Química da Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE), curso que finalizei em 1988. Entre 1991-1992 realizei mestrado no Departamento de Química Fundamental (DQF) da UFPE, com a  dissertação “Estudo Teórico da Carcinogênese Química”, sob a orientação do professor Antônio Carlos Pavão do DQF/UFPE.

Entre 1996-1999 realizei o Doutorado no Departamento de Química Fundamental da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), com a tese “Modelo Teórico Para Caracterização de Carcinógenos”, sob a orientação também do Professor Antônio Carlos Pavão do DQF/UFPE). Entre 2005-2006 realizei um Pós-doutoramento na Universitat de Barcelona, no uso das Tecnologias da Informação e Comunicação (TIC) no Ensino de Ciências. Em abril de 1994, tomei posse como Professor Auxiliar da Universidade Federal Rural de Pernambuco, lotado no Departamento de Química.

No período de 1994-1996 fui vice-coordenador do curso de Licenciatura em Química, depois entre 2000-2004 fui Diretor do Departamento de Química da UFRPE. Em 2007-2008 fui Coordenador Geral de Pesquisa da Pró-reitoria de Pesquisa e Pós-graduação (PRPPG) da UFRPE, e entre 2009-201 fui o Coordenador Geral dos Programas de Pós-graduação da PRPPG/UFRPE. Em 2012 assumi a Vice-reitoria da UFRPE.

Atualmente sou Professor Titular da Universidade Federal Rural de Pernambuco, onde ministro aulas no Curso de Licenciatura em Química e no Programa de Pós-Graduação em Ensino de Ciências. Sou também Coordenador do Núcleo SEMENTE (Sistemas para a Elaboração de Materiais Educacionais com uso de Novas Tecnologias) da UFRPE, e Vice-Reitor da Universidade Federal Rural de Pernambuco - UFRPE.

Patronesse

Lúcia Helena Aguiar de Sousa

“O Sol estava em Virgem. Era primavera no hemisfério sul e o tempo estava bom, como todos os setembros. Nasci quando sol se levantava, 5h30min da manhã, em um domingo, 19 de setembro (ano de 1948). Era uma situação cósmica particularmente interessante para marcar o início de uma nova existência”.

Assim descreve Lúcia a sua chegada ao mundo, no livro “Cem Asas para Voar”, que ela publicou em 1998. Lucia Helena Aguiar de Sousa, filha de Sebastião Alves de Sousa e Maria Aguiar de Sousa nasceu no Recife, fazendo parte de uma família numerosa, de mais cinco filhos. Fez a sua formação escolar primária no Grupo Escolar Silva Jardim, que ficava no Monteiro, próximo de sua residência, em Dois Irmãos, bairro onde nasceu e viveu até a adolescência. Cursou o ginasial no Colégio Da Sagrada Família, em Casa Forte, e o científico no Colégio Vera Cruz, tendo concluído a última série no Colégio Estadual do Recife, para onde se transferiu, rompendo com a orientação rígida dos colégios religioso, quando já apontava o seu espírito crítico e insubmisso, que caracterizou a sua vida. Prestou exame vestibular para ingresso na universidade, no curso de Engenharia Química da Universidade Federal de Pernambuco, em 1967, tendo sido aprovada. O vestibular desse ano foi muito rigoroso e apenas nove candidatos haviam sido aprovados para o curso, o que foi motivo de grande alegria para ela e para a sua família.

Formou-se como bacharel em Engenharia Química no ano de 1971. Já no ano de 1972 Lúcia recebeu um convite do professor Ivan Leôncio de Albuquerque para se engajar num projeto de pesquisa no Cento de Antibióticos da UFPE, do qual faziam parte o professor Alexandre Chuller e a professora Cassilda Chuller, onde ela afirmou ter adquirido desenvoltura nas técnicas experimentais, tornando-se, assim, uma profissional química.

Em 1973, tendo sido informada que a Universidade Federal Rural de Pernambuco estava realizando seleção para professor auxiliar de ensino para disciplinas de química, se candidatou, passando a partir daí a compor o corpo docente desta Universidade. Assim, ela afirmou: “Tornei-me professora. Despertei para uma vida nova, descobrindo um ofício que, hoje, não consigo mais me imaginar exercendo qualquer outro”.

Ainda neste ano, ingressou no Curso de Mestrado em Química Orgânica da UFPE, tendo recebido o título de mestra em 1978. Foi militante em política, se engajou na luta contra a ditadura, dirigiu aqui o movimento pela Anistia, brigou pelos direitos de cidadania, especialmente, pelos direitos de portadores de necessidades especiais, de deficientes físicos.

A vida de Lúcia tomou um rumo inesperado em 1980, quando, depois de um diagnóstico de um problema no mediastino superior, se submeteu a uma cirurgia e, por um erro médico durante a realização da operação, foi-lhe seccionada a medula, o que a deixou paraplégica, para o resto da vida, presa a uma cadeira de rodas. Após tentativas de recuperação e reabilitação, Lúcia procurou voltar ao que poderia, a partir daí, se uma vida normal. Como professora de química, jamais teria acesso seguro a um laboratório, para desenvolver pesquisas.

Essa limitação a levou a se especializar em história da química e no difícil ofício de estudar os métodos e metodologias do ensino de química, participando de um grupo de estudos formado por professores da UFRPE. Adorava esse ofício e, mesmo depois de aposentada, nunca rejeitou uma orientação de novos alunos que a procurassem. O destino foi cruel com ela e, depois de tantas limitações, um câncer de mama restringiu ainda mais os seus limites físicos, chegando ela a seu derradeiro padecimento. Faleceu em 19 de Novembro de 2007.